spot_img
HomeMundoTrump e Netanyahu estão fazendo um favor ao mundo livre - 03/03/2026...

Trump e Netanyahu estão fazendo um favor ao mundo livre – 03/03/2026 – Mundo

O presidente Donald Trump está sendo criticado de vários lados por sua decisão de se juntar a Israel em uma guerra para derrubar o regime iraniano, que no sábado (28) resultou na morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. Os motivos variam.

É “uma traição ao povo americano”, diz Elizabeth Warren, que alerta que a intervenção corre o risco de arrastar “mais uma geração para uma guerra sem fim”. É uma traição aos princípios do Maga (Make America Great Again), diz a deputada republicana Marjorie Taylor Greene, que denunciou Trump por colocar “a América em último lugar”.

É inconstitucional, segundo a União Americana pelas Liberdades Civis, porque está sendo conduzida sem autorização do Congresso. É desnecessária, segundo o escritor Andrew Sullivan, que (citando-me, embora de forma enganosa) acha que o Irã não representa uma grande ameaça e que a guerra está sendo travada em benefício de Israel.

E assim por diante. Mas um país onde os Estados Unidos e Israel estão conquistando amplo apoio é o mesmo país que está sendo bombardeado.

“Todos estão felizes; este é um dos melhores dias da vida de provavelmente 95% dos iranianos”, disse um morador iraniano da cidade de Karaj ao The Wall Street Journal sobre a morte de Khamenei. “Saímos correndo para a rua e gritamos a plenos pulmões e rimos e dançamos com nossos vizinhos”, disse ao The New York Times uma mulher de Teerã chamada Sara.

Um médico que perdeu o filho quando a Guarda Revolucionária do Irã derrubou por engano um avião de passageiros ucraniano em 2020 escreveu nas redes sociais: “Vamos suportar o inverno; a primavera está próxima.” Na cidade de Shiraz, vídeos mostraram pessoas “unidas em uma celebração que normalmente é reservada para casamentos, simbolizando pura alegria”.

Também é verdade que dezenas de civis foram mortos e houve luto público por Khamenei. Mas esses enlutados não precisaram sair às ruas sob a ameaça das armas do regime.

Houve um tempo em que os corações americanos podiam se comover com momentos como esses — quando nações livres, tendo suportado anos de provocações e ataques de tiranos, se uniam para fazer justiça e oferecer esperança. Somos um país diferente agora, menos ingênuo, mas consideravelmente mais pessimista e cínico, e, portanto, mais propenso a perguntar: O que ganhamos com isso?

Deixe-me tentar responder a essa pergunta.

Primeiro, é um erro dizer que Trump levou os Estados Unidos à guerra no sábado. O que ele fez foi responder a uma guerra que o Irã vem travando contra os Estados Unidos desde 1979.

Travou guerra quando tomou nossa embaixada em 1979, assassinou (por meio de intermediários) centenas de nossos militares em Beirute em 1983 e forneceu os IEDs, ou bombas de beira de estrada, que mataram ou mutilaram mais de 1.000 soldados de nossas tropas durante a guerra no Iraque. Travou guerra quando tentou assassinar ex-altos funcionários dos EUA, incluindo John Bolton, Mike Pompeo e, segundo uma reportagem de 2024 do site Politico, o próprio Trump. Uma das razões pelas quais o Irã se comportou assim é porque tirou a lição de que não pagaria um preço alto. Não mais.

Segundo, Teerã teve a oportunidade de mudar de rumo em junho, após seus 12 dias de bombardeio por Israel e um ataque noturno dos Estados Unidos. Em vez disso, começou a reconstituir suas capacidades nucleares enquanto reconstruía rapidamente a força de mísseis que agora está aterrorizando civis em Tel Aviv (Israel), Dubai (Emirados Árabes Unidos), Manama (Bahrein) e Riad (Arábia Saudita), e mirando ativos militares dos EUA na região.

Os Estados Unidos, o mundo árabe ou Israel estariam mais seguros se tivéssemos esperado um ou dois anos para o Irã construir vários milhares de mísseis a mais? Ou depois que a Rússia tivesse fornecido ao regime milhares de mísseis avançados de defesa aérea portáteis, como o Financial Times noticiou na semana passada que havia concordado em fazer?

Terceiro, o Irã não existe em um vácuo geopolítico: junto com a Rússia e a China, é um membro central do eixo de autocracias que ameaça o mundo democrático de forma ampla.

Os mesmos liberais que criticam Trump por não se opor vigorosamente a Vladimir Putin deveriam ao menos considerar que é Teerã que forneceu à Rússia os drones e a tecnologia de drones que destruíram grande parte da Ucrânia. E os mesmos conservadores que criticam Trump por desviar recursos militares do Pacífico para a guerra no Irã também deveriam notar que o Irã fornece secretamente à China grande parte de seu petróleo como parte de uma parceria estratégica prometida de 25 anos e US$ 400 bilhões. Se Teerã sair do eixo, nossos adversários restantes só podem ficar mais fracos.

Quarto, é impossível imaginar algo parecido com a paz no Oriente Médio sem o fim deste regime.

Não é simplesmente que o Irã tem sido o principal apoiador do chamado eixo de resistência que inclui todos os grupos terroristas que buscavam varrer Israel do mapa. Nenhum governo israelense jamais concordará com um Estado palestino que possa cair na órbita do Irã. Paradoxalmente, o governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu terá muito mais dificuldade em resistir à pressão internacional por um Estado palestino se o regime de Teerã cair e a Arábia Saudita oferecer paz com Israel.

Quinto, mesmo que os Estados Unidos e Israel não forcem uma mudança de regime no Irã, podem alcançar objetivos estrategicamente significativos.

Os Estados Unidos são mais fortes quando ditadores antiamericanos têm razões sólidas para temer nossa ira: isso restaura a dissuasão e, ao fazê-lo, torna a diplomacia mais eficaz. Israel e o mundo árabe estão mais seguros quando o Irã está mais fraco. Finalmente, mesmo que o regime não caia, estará sob forte pressão interna para modificar seu comportamento como uma concessão pragmática à realidade, assim como a Venezuela sob Delcy Rodríguez, sua (esperançosamente) presidente interina.

Esse pode não ser o resultado ideal. Mas é consideravelmente melhor do que o que havia antes.

Por fim, os Estados Unidos e Israel assumiram riscos militares e políticos consideráveis para fazer a coisa certa. E isso não é pouca coisa.

Eles livraram o mundo de um tirano odioso e de várias camadas de seus igualmente odiosos subordinados. É estranho que as mesmas pessoas que criticam Trump por divorciar a política externa dos EUA de seus valores democráticos agora o critiquem por ir à guerra em prol do avanço dos valores democráticos. Ainda assim, milhões de pessoas comuns ao redor do mundo —não apenas em Tel Aviv ou Teerã ou Tehrangeles, mas também, talvez, em Taipei e Tallinn— notarão que os Estados Unidos, apesar de seus muitos defeitos, ainda defendem a liberdade.

Minha coluna nunca teve vergonha de denunciar Trump ou Netanyahu. Não terá vergonha de criticá-los no futuro. Mas no sábado essa dupla tão difamada fez um favor corajoso e histórico ao mundo livre. Isso será lembrado muito depois que as críticas petulantes se acalmarem.

Fonte: Folha de São Paulo

RELATED ARTICLES

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Advertisment -spot_img

Outras Notícias