spot_img
HomeMundoAnálise: EUA e Israel apostam em poderio; Irã muda tática - 02/03/2026...

Análise: EUA e Israel apostam em poderio; Irã muda tática – 02/03/2026 – Mundo

A nova guerra no Oriente Médio mostrou, em seu primeiro momento, que ambos os lados contam com o tempo de forma diferente na expectativa de vencerem o conflito.

Os Estados Unidos e Israel, agressores do turno, apostam que o poder de fogo maciço e sistemático empregado até aqui acabe por dobrar estrategicamente o Irã, fazendo a teocracia entregar os pontos —a queda do regime, contudo, já está cada vez mais relegada à retórica.

Com os detalhes que vão emergindo acerca da operação, fica claro um trabalho coordenado com três objetivos principais: atingir o máximo da liderança do regime de Teerã, suprimir capacidades tanto de defesa quanto de ataque, e mirar o programa nuclear dos aiatolás.

No primeiro item, o sucesso se mede pela contagem de corpos, a começar pelo do líder supremo, Ali Khamenei. Mas, diferentemente do que ocorreu com o Hamas e o Hezbollah na mão dos planejadores militares israelenses depois do 7 de Outubro, não houve o impacto imediato esperado.

Primeiro, a teocracia não desmoronou do dia para a noite, nem o povo voltou às ruas —não há oposição organizada, mas há bombas caindo, além da repressão. Segundo, a estrutura iraniana se mostrou flexível: a perda de vários comandantes militares não limitou a habilidade do país de contra-atacar.

Isso mostra que o processo decisório foi horizontalizado, provavelmente auxiliado por um certo grau de automação.

No segundo objetivo, o trabalho está em curso. Aqui é notável a divisão de trabalho entre os EUA e Israel, que sugere meses de treino: o Estado judeu foi atrás das cabeças premiadas e, depois, passou a atacar sistemas antiaéreos e a infraestrutura de lançamento de mísseis balísticos do Irã no oeste do país.

Era uma tarefa para a qual já vinha preparado desde a guerra de 12 dias do ano passado, quando seus ativos infiltrados no rival chegaram a atacar lançadores com drones a poucos quilômetros.

Conforme relato de uma oficial israelense à Folha, o dado de inteligência acerca da reunião com 40 membros da cúpula sobre a crise na manhã do sábado (28) chegou momentos antes do encontro. Boa parte dos presentes, Khamenei incluso, morreu.

Já as forças de Donald Trump aproveitaram o caminho aberto por 200 caças israelenses, apoiados por dezenas de aeronaves de reabastecimento e inteligência dos EUA, para ir atrás da infraestrutura militar mais robusta do regime.

A chegada dos bombardeiros B-2 e B-1B mais tardiamente ao teatro de operações sugere que talvez Trump tenha sido sincero ao dizer que o pior estava por vir. Os EUA também se encarregaram de afundar os 11 navios do país no golfo de Omã.

O alvo de desmantelar de vez o programa nuclear iraniano é mais elusivo, mas entra na mesma conta dessa parte da operação.

Sem condições de se defender dos golpes, restou ao Irã garantir a retaliação que a destruição da cadeia de comando não impediu. Só que desta vez os iranianos agiram de forma diversa do conflito anterior, quando buscaram saturar as eficazes defesas israelenses.

Visando um conflito mais longo, em vez de salvas de 50 mísseis como em 2025, o Irã está sendo parcimonioso, tendo voltado seu foco para a dispersão geográfica.

Teerã está atacando bases americanas e aliados de Washington no golfo Pérsico com intensidade. Além do impacto moral, há a dificuldade de reposição de defesas aéreas —relatos indicam que ela não dura uma semana nos exigidos Qatar e Bahrein.

Há questões econômicas, inclusive. Caças americanos que custam US$ 35 mil a hora-voo lançam mísseis de até US$ 500 mil contra drones de US$ 20 mil. Este é um filme já visto na Ucrânia.

Mas a tática pode jogar contra Teerã se galvanizar uma coalizão árabe em torno dos EUA, algo difícil pela presença do Estado judeu.

Há outras incertezas, como a entrada do Hezbollah libanês na guerra ou o real impacto do fechamento do estreito de Hormuz. Fora o imponderável, como um ataque bem-sucedido a porta-aviões, algo inédito.

São apostas distintas num teste de resistência, embora a ausência de um componente terrestre nesta guerra sugira que o regime poderá governar sobre ruínas ao fim.

Fonte: Folha de São Paulo

RELATED ARTICLES

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

- Advertisment -spot_img

Outras Notícias