O governo Lula (PT) condenou, por meio de nota, os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã neste sábado (28), manifestando “grave preocupação” com o episódio. Os países travavam processo de negociação pela paz antes dos bombardeios.
“O Governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados hoje (28/2) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”, diz o Itamaraty.
De acordo com o governo brasileiro, as embaixadas do Brasil na região acompanham os desdobramentos das ações militares, com particular atenção às necessidades dos brasileiros presentes nos países afetados.
“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, diz ainda a nota.
O embaixador do Brasil em Teerã está em contato direto com a comunidade brasileira para transmitir atualizações sobre a situação e orientações de segurança.
Neste sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpre agenda em Minas Gerais em decorrência das fortes chuvas que atingiram cidades do estado nos últimos dias e deixaram mais de 60 mortos e milhares de desabrigados.
Por conta disso, Lula sobrevoa nesta tarde a região da Zona da Mata, pelos municípios de Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa (MG), três dos mais afetados, e não deve abordar o conflito internacional durante sua passagem por lá.
Na avaliação de auxiliares do Planalto, abordar o tema neste momento tiraria o foco da tragédia nacional.
Em episódio recente, com o ataque dos Estados Unidos a Venezuela em janeiro deste ano, foi realizada uma reunião de emergência com os ministros do governo no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Na ocasião, Lula também não estava na capital e participou de forma remota — o que não deve acontecer desta vez por conta dos compromissos em Minas.
Conforme ocorre em episódios desta natureza, o governo recomendou aos brasileiros que residem no país atacado que estejam atentos às orientações de segurança das autoridades locais nos países onde morem ou se encontrem.
Como mostrou a Folha, o ataque americano contra o Irã acaba com qualquer resquício de legitimidade do Conselho de Paz criado pelo presidente Donald Trump. O conselho foi lançado por Trump com os objetivos declarados de promover a paz na Faixa de Gaza e resolver outros conflitos do mundo.
O Brasil foi convidado para integrar o conselho, mas, a exemplo de países como a França e Alemanha, resiste. A percepção é de que o órgão será instrumentalizado por Trump para enfraquecer ainda mais a ONU (Organização das Nações Unidas) e o sistema multilateral.




