Forças da Suécia interceptaram e derrubaram no mar Báltico um drone russo que se aproximou da nau capitânia da frota francesa, o porta-aviões nuclear Charles de Gaulle, que está em exercícios nas águas do país nórdico.
O incidente foi revelado pela rede sueca SVT nesta quinta-feira (26), dois dias depois de a embarcação chegar ao porto de Malmö. O ministro Pal Jonson (Defesa) relacionou o incidente à presença de um navio de guerra russo nas proximidades.
“O drone foi bloqueado eletronicamente a cerca de 13 km do Chales de Gaulle”, disse o coronel Guillaume Vernet, porta-voz do Estado-Maior francês, à agência France Presse. O aparelhos, aparentemente um modelo de vigilância, caiu no mar.
Enquanto interceptações de lado a lado entre Rússia e membros da aliança militar Otan são costumeiras no Báltico, o episódio foi inédito. O Charles de Gaulle, com seus 30 caças e 260 metros de comprimento, é o maior porta-aviões com propulsão nuclear do mundo fora da frota de gigantes norte-americanos.
O navio está fazendo uma série de exercícios numa jornada chamada Lafayette-26, que percorre águas de países amigos no Atlântico Norte e nos mares do Norte e Báltico.
O incidente reúne dois dos mais vocais adversários das políticas de Moscou desde que Vladimir Putin invadiu a Ucrânia, há quatros anos.
O presidente francês, Emmanuel Macron, chegou a assinar um acordo para enviar tropas ao lado dos britânicos para Kiev em caso de haver um acordo de paz, algo que está sendo negociado com muita dificuldade.
Já Estocolmo abandonou 200 anos de neutralidade regional em 2024, quando teve seu pedido de admissão à Otan aceito. O país já trabalhava em consonância com membros da aliança, mas agora tornou-se um líder no flanco norte contra a Rússia, ao lado da também recém-chegada ao clube Finlândia.
Não houve ainda pronunciamento de Moscou sobre o caso. Nesta semana, Putin havia criticado Paris e Londres, dizendo que os rivais queriam fornecer algum tipo de artefato nuclear para Volodimir Zelenski, algo bastante inexequível na prática e que foi denunciado poels acusados com mentira.
O Charles de Gaulle seguirá com seus exercícios na região do Báltico, segundo a Marinha. Na quarta (25), ele manobrou no golfo de Oresund, sendo sobrevoado por ao menos um caça sueco Gripen C, geração anterior ao modelo que está em operação no Brasil.
Não é a primeira vez que a Força se vê envolvida na tensão geopolítica atual: em dezembro, drones não identificados sobrevoaram a base de onde são operados os quatro submarinos de propulsão nuclear francesa, vetores para o lançamento de armas atômicas.
Navios franceses também acompanharam em outubro um submarino russo que, segundo a Otan, enfrentava problemas técnicos na sua rota de volta à base no Ártico.




