A polícia da França prendeu 11 pessoas, incluindo o assessor de um parlamentar da ultraesquerda, sob suspeita de envolvimento no linchamento de um ativista de ultradireita —um crime que expôs as profundas tensões políticas no país às vésperas das eleições.
Após o anúncio, a sede do partido de ultraesquerda A França Insubmissa (LFI) foi esvaziada após uma ameaça de bomba, informou nesta quarta-feira (18) o coordenador nacional da sigla, Manuel Bompard na rede social X.
De acordo com o promotor de Lyon, Thierry Dran, Deranque foi derrubado e espancado por “pelo menos seis indivíduos” encapuzados na quinta-feira (12), do lado de fora de um evento em Lyon de Rima Hassan, eurodeputada do principal partido da ultraesquerda francesa, A França Insubmissa (LFI). O homem de 23 anos não resistiu aos ferimentos e morreu no sábado (14).
Vídeos do linchamento foram amplamente compartilhados nas redes sociais, causando indignação na França e críticas à sigla.
Hassan condenou o assassinato, e o parlamentar da LFI Raphaël Arnault confirmou na terça-feira (17) que seu assessor parlamentar estava entre os detidos, acrescentando que as atividades dele haviam sido paralisadas. “Agora cabe à investigação determinar a responsabilidade”, disse ele na rede social X.
O incidente reflete a crescente polarização na França, onde tanto a ultraesquerda quanto a ultradireita têm se aproveitado da frustração com o governo minoritário de centro às vésperas das eleições locais do próximo mês e da eleição presidencial do ano que vem.
No domingo (15), o ministro da Justiça, Gerard Darmanin, acusou políticos da LFI de instigar atos violentos em seus discursos. O mesmo tom foi adotado pelo porta-voz do governo, Maud Bregeon, para quem a LFI “incentivou um clima de violência durante anos”.
“Existe, portanto, à luz do clima político e do clima de violência, uma responsabilidade moral por parte da LFI”, afirmou Bregeon em declarações ao canal francês BFMTV.
Já o presidente centrista Emmanuel Macron falou em “violência sem precedentes”. “Na República, nenhuma causa, nenhuma ideologia justificará jamais a morte”, afirmou na rede social X.
O veterano líder da LFI e três vezes candidato à Presidência, Jean-Luc Mélenchon, rejeitou qualquer responsabilidade no caso. Em uma publicação nas redes sociais, o político pediu calma. “Não vamos alimentar a incitação à justiça com as próprias mãos”, afirmou.
As eleições municipais do mês que vem são consideradas um teste para a de 2027, que elegerá o sucessor de Macron, impedido de se candidatar após dois mandatos consecutivos.
As pesquisas de opinião apontam como favorita a legenda de ultradireita Reunião Nacional (RN). Com Marine Le Pen como candidata, a sigla passou ao segundo turno nas duas eleições presidenciais vencidas por Macron.
No entanto, Le Pen está atualmente inelegível por uma condenação por desvio de recursos públicos, contra a qual apresentou recurso. Ela indicou que decidirá se será candidata quando for anunciada, em julho, a pena do julgamento em segunda instância.
Caso a inelegibilidade seja mantida, Le Pen poderá ceder a liderança a seu protegido, Jordan Bardella, a quem já entregou a presidência da RN.
Com apenas 30 anos, Bardella apareceu como o presidenciável favorito em uma pesquisa com mil pessoas divulgada no domingo (15). Em segundo lugar ficou Le Pen, à frente do ex-primeiro-ministro centrista Edouard Philippe e do atual ministro da Justiça, Gerald Darmanin.
Bardella disse nesta terça que Mélenchon “tem imensa responsabilidade moral e política”. “Sua cumplicidade com grupos de extrema-esquerda, aos quais ele próprio se refere como ‘jovens camaradas’, abriu as portas da Assembleia Nacional para suspeitos de assassinato”, afirmou.




