Dois navios da Marinha do México atracaram no porto de Havana nesta quinta-feira (12) com mais de 800 toneladas de ajuda humanitária para Cuba, que vive uma profunda crise econômica, agravada pela pressão de Donald Trump.
A chegada das embarcações Papaloapan e Isla Holbox, que zarparam do porto de Veracruz no domingo (8), ocorre no momento em que o governo de Claudia Sheinbaum negocia uma possível entrega de petróleo para a ilha sem enfrentar sanções dos Estados Unidos, que ameaçaram aliados do regime.
Na última segunda-feira (9), quando anunciou que seu governo continuaria enviando ajuda humanitária a Cuba, a presidente mexicana afirmou ser “muito injusto” que Washington tentasse intimidar com tarifas os países que fornecem petróleo à ilha e lançou um “chamado internacional” para que os EUA reconsiderassem as sanções.
“Não se pode asfixiar um povo dessa maneira”, disse Sheinbaum na ocasião, em uma entrevista coletiva. A política reconheceu que seu governo interrompeu os envios de petróleo a Cuba e que segue negociando com Washington para retomar as exportações. “Estamos tentando evitar prejuízos ao México, e de maneira diplomática encontremos a forma para que Cuba receba o combustível.”
Os fluxos são pouco transparentes, mas estima-se que Cuba produza menos da metade do petróleo de que necessita, ficando o restante por conta de aliados. Até o começo do ano, a Venezuela era o principal, seguida de México e Rússia.
Mas sem Caracas, que está impedida pelos EUA de comercializar com Cuba após a intervenção americana para capturar o ditador Nicolás Maduro, a ilha é palco de apagões que chegam a 20 horas diárias em algumas regiões e filas de horas para comprar combustível. A crise se dá em um contexto que já era de escassez generalizada de remédios, instabilidade econômica e êxodo massivo.
Na segunda, Cuba suspendeu por um mês o fornecimento de combustível para aviões. O plano emergencial inclui ainda restrições à venda de combustíveis, redução de viagens de ônibus e trem, fechamento de hotéis e cortes na carga horária escolar.
“O combustível está sendo destinado à proteção de serviços essenciais para a população e a atividades econômicas indispensáveis”, afirmou o vice-primeiro-ministro cubano, Oscar Pérez-Oliva Fraga, ao anunciar as medidas, na última sexta (6).




