Uma avaliação confidencial da CIA apresentada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concluiu que membros do alto escalão do regime de Nicolás Maduro, incluindo a vice-presidente Delcy Rodríguez, estavam mais bem posicionados liderar um governo temporário se o ditador perdesse o poder, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto relataram ao Wall Street Journal, sob condição de anonimato.
A análise da CIA foi apresentada a Trump e a um pequeno círculo de altos funcionários da administração. Esse foi um fatores pelos quais o presidente americano decidiu apoiar a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, em vez da líder da oposição e vencedora do Prêmio Nobel da Paz María Corina Machado.
Segundo a publicação, Trump estava convencido de que a estabilidade a curto prazo na Venezuela só poderia ser mantida se o substituto de Maduro tivesse o apoio das Forças Armadas do país e de outras elites.
A avaliação foi encomendada por funcionários da administração americana e debatida durante discussões sobre os planos na Venezuela. Em operação militar bem-sucedida, os Estados Unidos invadiram a Venezuela e capturaram Maduro sem perdas de vidas americanas, um resultado exaltado pelo presidente Donald Trump —em meio a questões sobre a legalidade e a justificativa para as ações dos EUA na Venezuela.
O relatório foi apresentado a Trump nas últimas semanas, segundo o WSJ. A Casa Branca se recusou a confirmar.
“O presidente Trump é regularmente informado sobre dinâmicas políticas domésticas em todo o mundo. O presidente e sua equipe de segurança nacional estão tomando decisões realistas para finalmente garantir que a Venezuela se alinhe com os interesses dos Estados Unidos e se torne um país melhor para o povo venezuelano”, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, em resposta a uma pergunta.
A avaliação não descreveu como Maduro poderia perder o poder, mas tentou avaliar a situação doméstica na Venezuela caso isso acontecesse, conforme os familiarizados com o documento.
O relatório de inteligência citou Delcy e outras duas figuras de alto escalão do regime venezuelano como possíveis líderes interinos que poderiam manter a ordem. As pessoas familiarizadas com a avaliação não identificaram os outros dois funcionários, mas além de Delcy os dois intermediários mais influentes são o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o da Defesa, Vladimir Padrino.
Conforme o jornal, o relatório concluiu que Edmundo González, visto como o vencedor da eleição de 2024 no país, e María Corina teriam dificuldades para obter legitimidade como líderes enquanto houvesse resistência dos serviços de segurança pró-regime, redes de tráfico de drogas e opositores políticos.
Conforme noticiou o New York Times, em agosto, uma equipe clandestina de membros da CIA entrou na Venezuela com um plano para coletar informações sobre Nicolás Maduro.
A equipe da CIA se movimentou pela capital Caracas sem ser detectada durante meses enquanto estava no país. As informações coletadas sobre os movimentos diários de Maduro —obtidas com pessoas próximas ao presidente e por meio de uma frota de drones secreta— permitiram à agência mapear detalhes minuciosos sobre suas rotinas.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, afirmou em uma entrevista coletiva que, devido às informações obtidas pela equipe, os Estados Unidos sabiam onde Maduro se movia, o que ele comia e até quais eram seus animais de estimação.
Essas informações foram cruciais para o sucesso da operação militar —uma incursão feita durante a madrugada de sábado pela unidade de elite Delta Force do Exército dos EUA, a operação militar mais arriscada feita pelo país desde que membros da equipe Seal 6, da Marinha, mataram Osama bin Laden no Paquistão em 2011.




