Nayib Bukele e o avanço do autoritarismo em El Salvador
Nayib Bukele e o avanço do autoritarismo em El Salvador
Nayib Bukele é o presidente de El Salvador, nascido em uma família de origem palestina. Ex-publicitário, usa um estilo descolado e redes sociais para manter popularidade recorde no país
Iniciou na política como prefeito de Nuevo Cuscatlán (2012) e da capital (2015) pela FMLN, principal partido de esquerda do país. Após ser expulso, elegeu-se presidente em 2019 pela GANA, sigla da direita conservadora
Apresentou-se como um outsider contra “os mesmos de sempre”, criticando a corrupção dos partidos tradicionais. Seu discurso populista foca no controle total para garantir a segurança nacional
Sua marca é a queda drástica nos homicídios, transformando um dos países mais violentos do mundo. Para isso, impôs um regime de exceção que suspende garantias constitucionais desde 2022
O estado de emergência permite prisões sem mandado e limita o direito de defesa dos cidadãos. Cerca de 2% da população adulta está encarcerada, a maior taxa do planeta
Inaugurou o CECOT (Centro de Confinamento do Terrorismo), uma megaprisão para 40 mil pessoas isolada na zona rural do país. O local é o símbolo de sua política punitivista, onde detentos vivem sem ver a luz do dia
ONGs denunciam tortura, mortes sob custódia e detenção de milhares de inocentes no sistema prisional. Há relatos de julgamentos coletivos para até 900 réus de uma única vez
Tornou o Bitcoin moeda oficial em 2021 para atrair investidores, mas o uso obrigatório foi revogado para atender a exigências financeiras de empréstimos do FMI
Passou a controlar o Legislativo e o Judiciário após destituir juízes da Suprema Corte e o Procurador-Geral. Manobras permitiram sua reeleição em 2024, mesmo com veto da Constituição
Bukele selou uma aliança com Trump para receber imigrantes deportados dos EUA, enviando-os diretamente para a megaprisão CECOT. O local serve como depósito para quem Trump rotula como criminosos perigosos
Em troca, os EUA pagam milhões e ignoram as violações de direitos humanos em El Salvador. O acordo ajuda Trump a acelerar as deportações e Bukele a financiar seu sistema prisional autoritário
Seu partido aprovou emendas para permitir a reeleição ilimitada e mandatos mais longos. Críticos dizem que o país consolidou um sistema autocrático sem contrapesos
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