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França recorda dez anos dos atentados em Paris – 13/11/2025 – Mundo

A França recorda nesta quinta-feira (13) o décimo aniversário dos atentados mais violentos registrados em seu território, reivindicados pelo grupo terrorista Estado Islâmico (EI), que deixaram 130 mortos em Paris e feridas que permanecem abertas.

O aniversário ocorre com Salah Abdeslam —o único dos terroristas que participaram dos ataques e que permanece vivo— cumprindo prisão perpétua, enquanto avança o projeto de criação de um museu-memorial dedicado às vítimas.

Para marcar os dez anos da tragédia, o presidente Emmanuel Macron visitará os locais dos ataques, antes de discursar à tarde na inauguração um Jardim da Memória, ao lado da Prefeitura de Paris.

“A democracia sempre vence”, afirmou François Hollande, que era presidente na época dos ataques. “A França, ao longo dos anos, conseguiu permanecer unida e superar tudo.”

Os ataques começaram nas imediações do Stade de France, ao norte de Paris, aos 16 minutos do primeiro tempo de um amistoso da França contra a Alemanha na presença do então presidente francês. Um forte estrondo assustou os torcedores. Era o primeiro de três homem-bomba, todos do lado de fora. Além dos suicidas, morreu o português Manuel Dias, lembrado por uma placa na entrada do estádio.

François Hollande estava na tribuna de honra. Foi retirado discretamente do local. Cinco minutos depois, outros três terroristas começaram a atirar na rua.

Na mesma noite, o presidente fez um discurso na televisão sobre o horror vivido pelo país. Poucos dias depois, ele declarou a França “em guerra” contra os extremistas islâmicos e seu autoproclamado califado, que na época incluía regiões entre a Síria e o Iraque.

Na sequência, os terroristas assassinaram quase 90 pessoas na sala de espetáculos Bataclan, onde acontecia um show do grupo Eagles of Death Metal, e outras dezenas em restaurantes e cafés da capital francesa.

Nove criminosos morreram atingidos por tiros da polícia ou quando ativaram os explosivos que carregavam presos a seus corpos, exceto Abdeslam, que fugiu e foi detido meses depois na Bélgica. Atualmente, ele cumpre a pena de prisão perpétua.

Segundo sua advogada Olivia Ronen, Abdeslam estaria disposto a conversar com as vítimas dos ataques, caso desejem participar de uma iniciativa de “justiça restaurativa”.

Contudo, sua ex-namorada, com quem ele rompeu no início deste ano, foi detida e acusada, na segunda-feira (10), de planejar um ataque. A investigação está em curso.

Esses atentados reivindicados pelo grupo Estado Islâmico foram os mais sangrentos dos anos 2010 na Europa, uma década marcada por ataques em vários países.

A ameaça na Europa mudou desde 2015. Segundo o procurador antiterrorista francês, Oliver Christen, a tendência na França passou de ataques dirigidos a partir de zonas extremistas para uma ameaça vinda de pessoas cada vez mais jovens, inclusive menores de idade, que já vivem no território.

‘Os terroristas não venceram’

Em Paris, os sobreviventes e parentes dos falecidos tentam reconstruir suas vidas e, neste décimo aniversário, desejam ressaltar que “os terroristas não venceram naquela noite”, segundo Arthur Dénouveaux, que estava no Bataclan.

Catherine Bertrand compara o trauma a uma “bola de ferro” presa a seu pé. “A bola é menor hoje. Mas compreendi com o tempo que ela estará sempre lá; só o tamanho é que muda.” Vice-presidente da Associação Francesa de Vítimas do Terrorismo, ela contou à Folha que era frequentadora do Bataclan e foi assistir ao show do Eagles of Death Metal, uma banda de rock californiana. Naquela noite, ela trocou a pista pelo balcão superior, o que salvou sua vida.

“Ouvi estampidos que acreditei serem fogos de artifício. Os músicos largaram os instrumentos e fugiram. Em seguida, a luz se acendeu. Nesse momento, compreendi que algo estava acontecendo. Vi pessoas deitadas no chão, outras pulando por cima para escapar. Senti um cheiro de pólvora subindo ao meu nariz.”

Eva, que não quis revelar seu sobrenome, perdeu uma perna no ataque ao café ‘La Belle Équipe’, onde 21 pessoas morreram. Desde então, ela voltou a frequentar os cafés da capital, mas “nunca mais” sentou de costas para a rua.

Alguns sentem apreensão com as homenagens. O filho de 23 anos de Stéphane Sarrade, Hugo, foi assassinado no Bataclan, um lugar que ele evita desde então. “Sou incapaz de ir até lá”, disse à AFP. Este ano ele também não visitará o local.

Os nomes das 130 pessoas assassinadas em 13 de novembro de 2015, assim como dos dois sobreviventes que não conseguiram superar o trauma e cometeram suicídio, foram inscritos em placas de homenagens em Paris.

O julgamento foi assistido por um dos escritores mais famosos da França, Emmanuel Carrère, que transformou suas anotações em um livro, “V13” (o V é de “vendredi”, sexta-feira), um dentre dezenas de obras literárias, filmes e documentários dedicados aos atentados.

O Museu Memorial do Terrorismo até hoje não saiu do papel e tem a abertura prevista para 2029. O argumento oficial é falta de verba. Por ora, a principal homenagem foi a criação de uma praça, batizada “Jardim do 13 de Novembro de 2015”, ao lado da Prefeitura de Paris, com pedras de granito gravadas com os nomes das vítimas.

Fonte: Folha de São Paulo

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