O novo presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, de centro-direita, afirmou em seu discurso de posse neste sábado (8) que o país “nunca mais” ficará isolado da comunidade internacional.
Sua chegada ao poder marca o fim de quase 20 anos de domínio do MAS (Movimento ao Socialismo), partido cuja principal figura é o ex-presidente Evo Morales, na política do país. Paz também iniciou nas últimas semanas uma aproximação com os Estados Unidos, com quem a Bolívia não mantém relações diplomáticas desde 2008.
O economista, 58, filho do ex-presidente Jaime Paz (1989-1993), foi recebido com aplausos no Palácio Legislativo, no centro de La Paz, pelos deputados e mais de 70 delegações internacionais.
O presidente Lula (PT) não compareceu à cerimônia, e o governo brasileiro enviou o vice-presidente Geraldo Alckmin. Já o subsecretário de Estado americano, Christopher Landau, e os presidentes Gabriel Boric (Chile), Javier Milei (Argentina) e Yamandú Orsi (Uruguai) estavam entre os presentes, entre outros líderes.
“Nunca mais uma Bolívia isolada, submetida a ideologias fracassadas, muito menos uma Bolívia de costas para o mundo”, disse Paz durante seu discurso. Uma chuva torrencial caiu na cidade durante a sua fala, o que Paz interpretou como “uma limpeza” que a natureza estava fazendo sobre o país.
Paz, após vencer as eleições de outubro com o Partido Democrata Cristão (PDC), recebe um país em grave crise econômica devido à escassez de dólares e combustíveis. O governo de Luis Arce esgotou quase todas as suas reservas cambiais para sustentar uma política de subsídios universais à gasolina e ao diesel.
A inflação anual até outubro foi de 19%, após atingir um pico de 25% em julho.
“O país precisa voltar a produzir. Vamos abrir a economia, atrair investimentos, reduzir as tarifas para bens que não fabricamos e modernizar o sistema energético e digital”, disse Paz. Ele também prometeu um “governo da inovação, da ciência, da tecnologia e do futuro verde”.
“O desenvolvimento econômico irá de mãos dadas com o respeito ao meio ambiente”, afirmou também.
Na década anterior, a Bolívia viveu um boom econômico impulsionado pelas exportações de gás, mas hoje, com a queda desse setor, não consegue sustentar suas principais políticas de assistência.
“O que diabos fizeram com a gente com toda essa bonança? Por que há pessoas, famílias, que não têm o que comer hoje, se éramos tão ricos,com tanto gás e com o lítio como futuro?”, questionou.
Paz prometeu cortar mais da metade dos subsídios aos combustíveis, aplicar uma ambiciosa descentralização e um programa de “capitalismo para todos”, que se concentra na formalização da economia, na eliminação de obstáculos burocráticos e na redução de impostos.




