Um novo mega-ataque de Vladimir Putin contra a Ucrânia gerou alarme e pânico na Polônia, país da Otan vizinho da nação invadida pelo russo em 2022. Diversos drones lançados contra os ucranianos violaram o espaço aéreo polonês, provocando uma resposta inédita.
A intrusão provocou a primeira rodada de fechamento de aeroportos no país europeu, além do primeiro abate de drones por caças poloneses. “Nosso espaço aéreo foi violado múltiplas vezes”, disse em comunicado as Forças Armadas da Polônia, que pediram para moradores permanecerem em casa. “Estamos em alerta”, disse o vice-ministro da Defesa, Cezary Tomczyk.
O primeiro fechamento de aeroporto foi em Rzézow, cidade a cerca de cem quilômetros da fronteira que abriga um importante centro de distribuição de ajuda militar ocidental para a Ucrânia. Logo depois, o mesmo ocorreu em Lublin, também no leste do país, e enfim com os dois aeródromos da capital, Varsóvia.
Na madrugada desta quarta (10) —manhã na Polônia—, os aeroportos de Rzézow e Varsóvia foram reabertos, segundo a agência de notícias Reuters. Em Lublin, são operadores apenas voos de emergência.
Nos Estados Unidos, o senador democrata Dick Durbin afirmou que repetidas violações do espaço aéreo da Otan por drones russos são um sinal de que Vladimir Putin está testando a determinação do bloco para proteger a Polônia e as nações bálticas. “Após a carnificina que Putin continua a causar na Ucrânia, essas incursões não podem ser ignoradas”, publicou o parlamentar no X —antigo Twitter.
A Força Aérea da Polônia lançou caças F-16 para interceptar drones. Ao menos um aparelho foi abatido, e seus destroços filmados nas ruas de Zamość, perto de Lublin, a 60 km da Ucrânia. É a primeira vez que isso ocorre. “A operação para identificar alvos segue”, disseram os militares na nota, confirmando ter atingido “vários alvos”.
Além disso, decolaram rumo à região uma aeronave italiana de vigilância, além de um caça F-35 dos Estados Unidos e um avião-tanque A330-MRTT da Holanda. O avião americano foi reabastecido sobre a Polônia, segundo monitores de tráfego aéreo.
A ação começou no fim da noite desta terça-feira (9) e se prolonga pela madrugada de quarta, no horário local, cinco horas à frente do de Brasília. Houve muita, e o pânico permeia mensagens de canais de Telegram usados na região, sugerindo o início de uma guerra maior.
Isso é descartado pelos militares, que disseram que os drones vieram de um ataque ao vizinho.
Os monitores associados à Força Aérea de Volodimir Zelenski afirmam que ao menos 13 aparelhos violaram o espaço aéreo polonês, número bem maior do que os usuais 1 ou 2 que caem no território quando a Rússia lança ondas muito volumosas de drones e mísseis contra a região oeste do rival.
No domingo (7), Putin havia lançado o maior ataque aéreo da guerra até aqui, com 810 drones e 13 mísseis disparados contra a Ucrânia. Pela primeira vez, atingiu um prédio central do governo local, no caso o que abriga os ministérios em Kiev.
Além da ação na Polônia, as aeronáuticas das também membros da Otan Eslováquia e Romênia também entraram em alerta, com relatos de intrusões pontuais —que, assim como no caso polonês, também já ocorreram em outras oportunidades.
A Polônia é um dos países mais refratários a qualquer acomodação com os russos, até por motivos históricos —na Segunda Guerra Mundial, o país foi dividido entre Moscou e Berlim, passando depois a Guerra Fria sob controle político da União Soviética.
Com efeito, é dos 32 membros da Otan o que mais gasta proporcionalmente com defesa, ultrapassando 4% do Produto Interno Bruto. A aliança colocou 5% como meta para o fim da década, algo bem distante da realidade e do objetivo atual, de 2%.
Antes, na terça, os poloneses haviam determinado o fechamento da fronteira com a Belarus devido ao exercício militar quadrianual Zapad (Ocidente), que ocorre na Rússia e em sua aliada de sexta (12) até terça (16).
O clima na Ucrânia era de apreensão. Há a expectativa de que ao menos 700 drones, entre modelos suicidas de ataque e iscas para defesa aérea, sejam empregados nesta madrugada.
O temor do emprego de mísseis caiu após os sete bombardeiros que estavam no ar aparentemente pousarem na Rússia, com especulações em meios militares ligando a mudança ao alto alerta da Otan.
Moscou e Kiev têm escalado a guerra aérea desde que Donald Trump voltou ao poder nos EUA, introduzindo um vaivém de pressões diplomáticas para tentar fazer um acordo de paz na região. Até aqui, o movimento mais recente, que envolveu reunião do americano com Putin e com Zelenski, separadamente, não deu resultado.
Nesta terça, o jornal britânico Financial Times disse que Trump está pressionando a Europa a aplicar sobretaxas de importação de 100% à China e à Índia, prometendo fazer o mesmo, para pressionar Moscou. Ambos os países do Brics são os maiores compradores do petróleo russo, financiando a guerra.
Na semana passada, Putin, o chinês Xi Jinping e o indiano Narendra Modi se reuniram na China, e refutaram a política de sanções ocidentais.




